Nossa história

Um santuário familiar marcado por uma gata de rua

Por volta de 2017, a família Gaspar levou para casa seu primeiro gato de rua — Tito, o primeiro gato que alguém na casa já havia tido. Ele passou a fazer parte da família, e aquele resgate mudou o que eles conseguiam enxergar ao redor: gatos nesta parte do Brasil não estavam apenas sem lar, muitas vezes eram mal compreendidos, ignorados e deixados sem o mesmo apoio informal que alguns cães de rua recebem.

Negresco e Negresca, dois dos gatos sob nossos cuidados
Uma jovem em uma escada estende a mão sobre um muro alto de tijolos em direção a dois gatos pretos

Sem abrigo para chamar, sem rede de resgate a caminho

Em boa parte dos Estados Unidos, o resgate animal se apoia numa infraestrutura que muitos consideram garantida: abrigos municipais, redes de lares temporários e serviço de controle animal que recolhe animais sem dono. No interior rural do Brasil, onde fica o Rancho Gaspar, quase nada disso existe. Não há um abrigo onde alguém possa deixar um gato em situação de rua. Há um veterinário próximo que faz castração a preço acessível, mas não há ninguém pago para resgatar e levar animais sem dono até ele — essa última etapa sempre cai sobre nós. Não há rede de resgate com capacidade para absorver um caso difícil. Quando um animal está com fome, ferido ou carregando mais uma ninhada não planejada, não há ninguém a caminho — e é exatamente esse vácuo que o Rancho Gaspar escolheu preencher.

gatos resgatados

Por que os gatos viraram o centro do trabalho

Dentro desse vácuo, os gatos enfrentam um tipo adicional de vulnerabilidade. Mitos, desinformação e antigas superstições ainda afetam a forma como são tratados, especialmente os gatos pretos ou de pelagem escura. Enquanto alguns cães podem se tornar animais conhecidos da vizinhança — alimentados, observados, até batizados —, os gatos costumam ser menos visíveis, menos confiáveis aos olhos das pessoas e menos propensos a receber comida, proteção ou adoção.

Tito, um gato chocolate-point de olhos azuis brilhantes, enroscado em uma caminha felpuda creme e rosa

De um gato a um chamado

O que começou com um gato querido da família — Tito — virou um chamado. Ele não era residente do santuário nem um projeto de resgate; era simplesmente da família. Mas o gato que havia chegado como abandonado se mostrou exatamente o tipo de animal que o estigma local insistia em negar: gentil, sociável e profundamente carinhoso. Quanto mais gatos e cães a família começou a notar ao redor, mais difícil ficou passar por eles sem fazer nada. A compaixão virou determinação, e a determinação virou rotina: encontrar o animal que ninguém mais ia buscar, levar ao veterinário, castrar e definir o próximo passo certo. Enfrentar a crise dos animais de companhia em situação de rua nesta parte do Brasil deixou de ser um hobby para virar trabalho de uma vida.

cuidados veterinários

O que o Rancho Gaspar faz

O rancho existe porque nos recusamos a deixar animais maravilhosos sem cuidado, sofrendo ou se reproduzindo sem controle. Resgatamos, fazemos quarentena, avaliamos temperamento, oferecemos cuidados veterinários, castramos quando apropriado e buscamos o lar definitivo certo. Para alguns animais, isso significa adoção por uma família amorosa. Para outros, significa cuidado permanente no santuário.

o rancho

Um rancho de família com um propósito mais profundo

Os responsáveis pelo santuário vivem entre os Estados Unidos e o Brasil, enquanto o rancho no Brasil é dedicado principalmente aos animais. O rancho foi construído por Julio Gaspar ao longo de cerca de vinte anos antes de seu falecimento, por isso tem um significado especial: é um monumento ao cuidado e ao esforço dele pela família, e agora também um lar seguro para animais da região de Mendonça que são mal compreendidos, passam fome, estão em risco ou podem continuar se reproduzindo sem ajuda.

Bart, um cão marrom de pelo curto com uma pequena mancha branca no peito, sentado em piso azulejado e olhando para a câmera com um sorriso de boca aberta

Gatos primeiro, mas não apenas gatos

Veja o Bart, o cão desta foto. Quando o encontramos pela primeira vez, ele tinha uma grande ferida perfurante no quarto traseiro direito, infestada por larvas de mosca — o tipo de ferida que vira rotina num lugar onde os cães de rua passam os dias brigando entre si ou com qualquer animal silvestre que cruzem. Cuidamos dele até se recuperar. Naquela mesma semana, encontramos outro animal de rua que havia se envolvido numa briga com um tamanduá. Os gatos formam a maior parte do nosso trabalho de resgate, mas cães e coelhos não são excluídos — quando podemos ajudar com segurança e responsabilidade, ajudamos. Algumas espécies ou situações podem não ser compatíveis com um rancho cheio de gatos, mas sempre estamos dispostos a ouvir o que está acontecendo e ver se podemos ajudar ou indicar um caminho.

Gatão, um gato laranja e branco sentado em pisos de terracota ao lado de flores rosas vibrantes

Maior do que uma família

Uma família só consegue carregar até certo ponto. O Rancho Gaspar foi construído desde o início para ir além de um único lar — registrado como organização sem fins lucrativos 501(c)(3) dos EUA, com sua sede financeira em Murrieta, na Califórnia, enquanto cada resgate, recuperação, castração e dia de cuidado do santuário acontece no rancho em Mendonça, São Paulo. Cada animal que recebemos não tem para onde ir, e cada animal é classificado dentro de uma política escrita: para adoção, por meio do nosso processo de solicitação e apresentação, ou residente permanente, quando idade, saúde ou temperamento tornam a adoção arriscada ou inadequada. A missão cresceu além do que uma única família consegue sustentar sozinha. Se você puder doar, apadrinhar um animal, ser voluntário, oferecer um lar temporário ou adotar, o alcance do santuário cresce com você.

0 residentes no total

Estes números vêm do nosso inventário de residentes, então refletem os animais atualmente marcados como residentes permanentes no site.

0 gatos
0 cães
0 coelhos

Nosso trabalho abrange dois países — os animais são cuidados no Brasil, enquanto a organização tem base nos Estados Unidos.

Santuário

Mendonça, São Paulo — onde acontece todo o resgate, a recuperação e o cuidado do santuário.

Sede

O Rancho Gaspar é uma organização sem fins lucrativos dos EUA; sua sede financeira fica em Murrieta, Califórnia.